quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Cena 53:


Queria um poema que falasse: Que merda!
Que fosse sujo, raivoso, sórdido
Que rasgasse a palavra do princípio ao fim da calça jeans


Queria um poema sem festim
E sem querer nada mais além do ponto
arrancasse todas as flores do jardim.


Queria um poema que esmigalhasse cada vestígio colorido
a definir o verbo resumido...
Queria um poema sem rima
Um poema já nascido todo distorcido.


Queria um poema fétido, sem perfume
nem mesmo costume.
Um poema que pisasse no sapato novo e
que não fosse exato
Um poema   que de regato assassinasse o fato
e como um acrobata de frases enforcasse com a gravata


Um poema ordinário, mais que isso
Um poema reacionário
que arrebentasse as vírgulas e o botões da camisa sem compromisso.
Queria um poema que cortasse todo o tecido


Um poema que pegasse pela ponta do pé
e que colocasse o parágrafo de cabeça para baixo
Um poema que batesse na cara e atirasse contra maré
o sujeito completamente nu
e como se não quisesse mais nada
ainda mandasse, com o desrespeito da palavra:
Hei, vai tomar no cú!


Queria um poema...
o problema é que tudo vira água doce e mel
e me derreto em mim
doce.

1 comentários:

Brunna disse...

Ha! Demais! Está ai esse poema, sem estar.

Gostei muito!